segunda-feira, 30 de março de 2015

I FEEL MYSELF - Charles DIAMOND




ELEGIA 62 

Padrasto das réplicas, das tréplicas era órfão. Não tinha parentes de sangue, o infeliz, apenas alguns colegas ou amigos, todos incompatíveis em sintonia. A solidão era tão grande ao seu redor, que o silêncio ecoava dentro do peito infinito. Ao olhar para si mesmo no espelho, um cânion de relações desérticas, gente petrificada, vontades escarpadas e muita, mas muita areia de tudo aquilo que se foi, nunca permanecia. O estranho nessa história beduína, era que não havia tristeza. Pois só existe tristeza quando não se tem consciência dos motivos pelos quais as coisas são assim como são. Ele, sabia muito bem por quê. Questão de naturalidade: sua terra nunca foi onde pisou a vida inteira. Caminhava esperando a chuva só para ver se ela trazia ao menos um arco-íris, quem sabe houvesse um pote de ouro em seu final. Jamais por causa do pote ou de seu conteúdo, somente pela oportunidade de encontrar algo. Este seria seu único sonho possível, não de se realizar, mas apenas o único que poderia sonhar. Porque é muito fácil ser poeta entre precipícios de indiferenças, vales de silêncios, rochedos de sensações e aridez de esperanças pelas montanhas de ninguém.. 




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