domingo, 31 de julho de 2016

Sessãocional = Sessão Nacional de Cinema Sensacional: "O Céu no Andar de Baixo"



O Céu no Andar de Baixo / Leonardo Cata Preta
- no Arte 1 -




trecho:

"...o amor nasce de sementes distraídas,
que brotam ao acaso.
então,
se a morte precoce não as alcança,
crescem e ganham força..."




sábado, 30 de julho de 2016

Alforria - POESIA em Mi


 Carlos Drummond de Andrade 
 ETERNO 





O Tempo em Sépia



 Que saudade, 
     do quintal da infância 
 Com o pomar e o galinheiro 
 A grama rente ao piso 
 E o sol nas hortências do canteiro 
 Os passarinhos 
 No peito da cidade, 
 Meu pedaço de mundo inteiro... 

 Que saudade, 
     das filhas crianças 
 Com os cães pequenos e outros passarinhos 
 As brincadeiras do dia 
 E as musiquinhas para ninar as noites 
 Nas mãos da estrada 
 Minha parte do coração todo... 

 Que saudade, 
 E a gente nem sabia 
 Que apenas cabe a felicidade 
 Num imensurável instante de alegria... 



Sessão Lucy Sem Diamantes




 Sobre a superfície da mesa 
 Uma espátula metálica com ponta afilada, 
 Juntava óleo vegetal a minúsculos corações verdes de papel festa 
 Espalhava e misturava ficção, 
 Já que o mundo animal jamais se homogeneizará... 


 Entre dois oceanos 
 E na contramão da evolução 
 Uma cidade submersa no concreto 
 As pessoas viraram peixes de pedra 
 Retiram oxigênio do cimento 
 E declamam sob as marquises e viadutos 
 Uma felicidade muda genuinamente material... 


 Tua laje pega fogo 
 Quando decides transformar teu caminho 
 Como forro de madeira 
 Rompendo com as moléculas inertes do passado 
 É que necessitas ir embora 
 De um tipo de vida onde a chuva, 
     é apenas uma música... 


 Realidade 
 O maior dos entorpecentes 
 O mais legal e de fácil acesso 
 O único lícito, 
 Cujo enfrentamento leva às mais belas viagens, 
 Aos mais distantes recônditos 
 À mais justa natureza 
 Com uma única exceção, 
     a ilusão por alguém... 


     "Lucy In The Sky With Diamonds" - The Beatles
      cover by Katie Melua




sexta-feira, 29 de julho de 2016

Solidância (haja redundância ...)


 A solidão 
 É algo sempre novo 
 Feito o pesquisador, 
     incansavelmente surpreso diante de seu objeto 
 Não para demonstração à ciência 
 Mas para a compreensão de seu significado 
 De seu alcance 
     diz-se, 
     da beleza de ser incompleto... 


 A solidão 
 Enche o carrinho do supermercado 
 De coisas totalmente não essenciais.. 


 Ah, solidão 
 Onda permanente 
 Vive quebrando e formando 
 Na praia dentro da gente.. 


 Quando a solidão se for 
 Enfim, entristecerei 
 Por ter aprendido com ela 
 Sobre a utopia de toda companhia... 


 Ei, Solidão 
 Trato-te com maiúscula 
 Na tentativa boba 
 De alcançar teu tamanho ao meu redor... 


 Seria injustiça 
 Haver amor apenas para casais 
 Os solitários seriam discriminados.. 
 Não que eles amem 
 Pois eles nem são amados 
 Mas, assim como os cegos 
 Eles conseguem ouvir, 
     que há amor por aí... 


 O prato vazio 
 Na frente do peito 
 Enche de sopa fácil.. 
 Poderia ser pior 
 Um outro prato, 
     vazio ao lado do prato cheio 
 E um rango com o destempero da ausência... 


 Caminhar, 
 Passear a pé, 
     tudo bem.. 
 Mas de mãos dadas, 
     o que é isso? 
 Já não sei mais 
 Também nem sei se é menos 
 Talvez um abraço isolado 
 Valesse tanto quanto aquilo... 


 Para quem tem companhia, 
     uma verdadeira companhia 
 A solidão é nada.. 
 Então, para que ler isso aqui 
 Espécie de dialeto em Guarani? 


 Combinar outras palavras, 
 Para uma mesma sensação 
 Busca d’ riquezas 
 Que traz essa tal solidão... 


 Aprender gerar calor sozinho 
 Fazer fogo sem paus 
 Programa de sobrevivência 
 Na selva capital.. 


 Não, garota 
 Não se aproxime do eremita 
 Seja de longe sua inspiração 
 Um referencial para a reclusão 
 Tal a lua e o pescador 
 Impossível beijá-la 
 Basta a ilusão do firmamento... 


 Não se pode ensinar solidão 
 Ninguém quer aprender 
 Por isso eu escrevo sobre ela 
 Não precisa alguém ler 
 Para que ela me sirva de janela... 


 A solidão, 
 Não está no recado que não chega 
 Ela mora na vontade que nem sai... 


 A solidão 
 É a carruagem da criatividade 
 Só não há cavalos 
 Porque não existe mais destino... 


      "Lonely Stranger" - Eric Clapton
       cover by Irina Timashova




quarta-feira, 27 de julho de 2016

Sessão Lira do Delírio 2, 3, 4...


Que tipo de solidão é a sua? Você tem família, suponho que a veja de vez em quando. Seus vizinhos! Você mora num prédio, cheio de moradores, acho que os encontra pelos corredores. E os seus amigos, então? Vivem lhe visitando, jantares demorados, cafés mais ou menos e almoços rápidos. O pessoal do trabalho, sempre se falando. Sem contar as redes sociais, um emaranhado de contatos, mesmo que virtuais. Reconheça, há muita gente ao seu redor. Talvez não seja solidão aquilo que você sente. Pois solidão, é manter distância de muita gente, de todo esse povo aí que eu já disse. Não é assim contigo. Você tem todas essas conexões, possui vários recursos para escrever, cutucar, encontrar, falar, visitar, viajar e receber ou sair com todas essas pessoas do seu mundo, em seu mundo. Basta você querer, ou que apenas uma dentre as dezenas de cabeças que estão em sua lista o faça. Cabeças possíveis, não os que apenas preenchem tabelas ou panamás. Sendo desse jeitão, não há como você alegar solidão. Sei que é bonito falar que é alguém só. Pensar assim é poético, enriquece textos, faz de si mesma uma nova personagem que você representa em sua própria vida. Mas não, não é nada disso. Solidão parcial? Também não. Não existe solidão em partes, fatias, porções, fragmentos, peças. Ou é total ou não é. A falta de uma companhia... quase! Quase deu para justificar a sua solidão, mas ainda não é o caso. Tem gente que tem companhia e vive em solidão maior que a dos solitários. Chame isso de liberdade, é melhor. A ausência de um amor... esfriou! Isso significa alguém que já partiu, portanto, não se pode fazer do impossível abstrato, algo como um sentir concreto. Chame isso de saudade, é melhor. Viu só? Você empresta outros termos e os veste com o traje da solidão. Comece a se despir, meu bem. Retire de seu closet aquilo que não lhe pertence. Fique ao menos uma vez, nua de seus conceitos. Não faça de uma opinião sem profundidade, uma convicção desse porte. Solidão é outra praia, que não lhe convida. Outra dimensão, que não lhe recepciona. Sabe por quê? Porque a solidão é crueza. Uma escola de torturas e sofrimentos que somente os mais fortes possuem grau em colação. Porque a solidão é uma conquista, depois de frequentar anos desta formação. Uma escola onde não existem graduandos. Nem egressos. Existem apenas os pós-doutores. Estes sim, os imprescindíveis solitários. Fizeram daquela crueza das experiências, um aprendizado de tal nível de conhecimento da vida que hoje são pessoas completamente céticas, indiferentes, amorfas. Falar de amor com elas, é como contar estórias da carochinha, de ninar, fantasias infantis que só o mundo da ternura tem. Solidão, sente quem não ama, e respectivamente, não é amado por ninguém. Coloque aí todos os tipos de amores que você imaginar. O solitário clássico, é um eremita de sentimentos, um urtigão de afetos, um ermitão de sensações, claro que em mão dupla, nada sai, nada vem. Um monge sem veste nem mosteiro ou religião para seguir. Depois de tudo, nada mais o afeta, em todos os sentidos. Mas ele não está morto, ele serve como referência para que aqueles como você que imaginam viver em solidão, desenganem-se e reconheçam a verdade que os rodeia. A solidão não é uma viagem, ela é uma morada. Tem paredes de ferro, piso de concreto e telhado de aço. Não há portas ou janelas. Na casa da solidão, a mesa é vazia. A sala é espaçosa. O banheiro é frio. A cozinha é silenciosa. Na casa da solidão, o quarto é sempre escuro. O cão não late, as árvores não dançam, a chuva não fica. Na casa da solidão, o sol passa e vira o rosto, a música é surda e a poesia é cega. Na casa da solidão, a alegria dorme no porão e a tristeza brinca no ático. As lágrimas são as folhas secas caídas e pisadas no jardim. Os sorrisos são os desenhos estampados nos panos de prato. Na casa da solidão, a felicidade está guardada num baú, a saudade na adega e a esperança no freezer. Na casa da solidão, o tempo já passou e o lugar não se fez adequado. Ou seja, a casa da solidão é o símbolo-mor de um morador só e para um só habitante. Enfim, a casa da solidão não é Endereço, digno onde viva alguém que possa ao menos uma vez na vida ser considerado um anfitrião, quiçá uma companhia. É somente uma morada depois de tudo, e antes do nada. Pronto...abra os seus olhos...e sinta a plenitude na pluralidade das cores de todo o seu agora reconhecido, universo relacional... 

música A-cidental
"Você" - Tim Maia
cover de Gui




terça-feira, 26 de julho de 2016

Crônica Cotidiana 36



Quando A Mulher Trai 
Ela rompe alguns laços, do emaranhado. Eu disse que é rompimento, e de laços que não são como as lagartixas, não sofrem regeneração. Reatá-los, é inútil. É como sair à rua com esparadrapos na testa, micropores e bandeides aportuguesados pela face, gazes nas juntas, ataduras contrabandeadas nas extremidades, quase mumificação. Existem laços fundamentais num relacionamento. Uma vez rompidos, já não é mais relacionamento, é decadência. Mas quando é a mulher quem faz isso, a coisa muda de figura. Longe de se tratar de machismo e outros ismos, há uma peculiaridade na traição feminina: a mulher trai por sentimento. É muito pior ou melhor do que a maioria das traições masculinas, por desejo. O argumento do homem é uma simples justificativa, o da mulher é fundamento. Enquanto ele vacila em suas intentadas, ela age como se não, se nada, se nunca houvesse. E ela não faz por vingança. Por direitos iguais, ela não faz. Ela faz quando se sente apta em desafiar um novo sentimento por alguém que não necessariamente demonstre mais força na união de eventuais elos, laços. Então ela se transforma, e parte em direção à experiência. Não tarda, se entrega de corpo e alma ao amante, parindo e criando o número dois. Mas o segundo é para a sociedade, em seu pódio interno, só existe um, e não é mais o marido, esposo, ou qualquer outra coisa antiga e ultrapassada que se possa chamar. Sim, a mulher sente muito mais do que um desejo. Ele, por carne e sangue; ela, por corpo e alma. O homem quer algumas horas e pensa no agora, ela quer tempo e pensa no amanhã. O homem quer determinados lugares, ela quer espaço. Ele se despede, a mulher quer mais. Ele promete, a mulher acredita. A amante do homem é boa de cama e de lábia. O amante da mulher é razoável na cama e dissimulado. Fossem profissionais, a amante dele seria uma advogada, o amante dela um corretor imobiliário. Fernanda chegou ao ponto de ignorar os filhos e o lar, em prol do Dr Alberto, preceptor de sua residência no Hospital Mater Dei. O médico, acostumado a destruir uniões, galanteava-se de que só contribuía com 50% disso, o resto era culpa da fêmea, sua próxima vítima, fruto caído de assédio moral com dolo e êxito. Gerson, o corno de Fernanda, mantinha a coisa (emaranhado) aguardando seu filho crescer, queria levá-lo sem guarda compartilhada ou não ao futebol. Transava de vez em quando com uma professora de Sociologia, solteirona convicta na faculdade onde lecionava Direito. Ambos (ex-casal), mantinham as aparências da porta para fora. Dentro da habitação, filhos trancados no quarto soltos pelas redes sociais, laços desfigurados pelo chão da casa toda, feito tapetes esfiapados, deselegância em forma e principalmente no conteúdo. Camas frias, calor só no chuveiro e na cozinha. Sofás e televisores independentes, salas distintas, morna mesa de jantar. Não há mais mercúrio em lugares assim. Nem importa se a prática da traição necessita argumento físico ou fundamento afetivo. Trair é só um verbo alegórico para disfarçar o engano, o engodo da errante e portanto sedutora existência alternativa, a substituir fracassos de escalação principal. Milhares de casais como eles insistem e resistem nas cidades, sem coragem para o enfrentamento da verdade. Que bom seria se assumissem e vestissem as respectivas fantasias antes que as crianças da vida se sintam como cedros crescendo em plenas alamedas dos cemitérios municipais...   



sexta-feira, 22 de julho de 2016

Crônica Cotidiana 35



O Catador de Ilusões 
Sete da manhã, parei no sinal fechando no cruzamento da linha férrea. A dois metros de mim e sobre o trilho, um andarilho aguardava o instante de atravessar. Barba enorme e cabeleira, deixava apenas seus olhos de fora, quase um lobisomem subtropical. Uns quarenta e poucos anos, de estatura baixa, vestia uma jaqueta de nylon azul, uma calça de moletom preta e um tênis que não lhe servia. Levava na mão esquerda um grande saco plástico, com aquilo que ele achava importante dentro; corrijo: essencial, porque mendigos não levam consigo coisas desnecessárias. Meu momento parnasiano idiota, num gesto tipicamente caótico de metrópole, fechei o restante do vidro que mantinha aberto para não embaçar o carro, com a justificativa que apenas eu escondi e todo mundo veria, tentando preventivamente evitar que ele viesse me pedir algo que eu não tinha para lhe dar. Só havia eu e ele naquele recorte da cidade. Foi então que o estigmatizado pôs-se a andar-correndo, num trote feito em lenta marcha olímpica, quando fez-se o meu espanto: ele olhou bem nos meus olhos, levantou o polegar opositor e agradeceu positivamente por eu ter parado, repetiu o ato outra vez em seu trajeto. Coitado, ele agradecia sem saber que eu estava cumprindo uma ordem, dessas que tentam regular a vida em sociedade, ou seja, era nada mais do que a minha obrigação. Mas ele fez aquilo com tanta educação e naturalidade, que eu afastei o caráter ingênuo da coisa e atribui medo. Ele fez isso por medo. Medo talvez de que lhe insultassem...de que tocassem o carro em cima...que o atropelassem de novo... e por aí vai. Quando ele já estava na calçada, olhei novamente pelo canto dos meus olhos para rever a criatura, ele voltou seu olhar e me agradeceu com a cabeça pela última vez. Copiei-me de lágrimas, não chegaram a cair, mas eram lágrimas. Um misto de revolta, diante daquela realidade nacional. Revolta por não termos feito tudo aquilo que podíamos, ainda somos os mesmos e nos omitimos como nossos pais. Isto é, quem poderia ter feito algo por essa gente que não é como a gente, mas é muitas vezes mais gente que a gente que não faz nada por eles. O sinal abriu e eu acelerei abrindo a janela também para não chegar no meu destino com os olhos vermelhos. Vim, pensando nos obstáculos que aquele centauro não teve condições de enfrentar para que retrocedesse até ali, naquela situação desumana de sobrevivência capital. Parei, e resolvi pensar qual a estimativa que ele mesmo teria sobre seu futuro, o que significaria o amanhã para ele. Concluí, que significava nada. O importante era vender aquelas latinhas hoje, para tentar comer alguns pães com margarina que alguém vendia num barraco de tábua & zinco vizinho, à beira de um rio urbano qualquer, mal canalizado e há décadas morto. Não é possível que a morte não seja melhor que a vida. Vou chamá-lo de Cláudio. Se ele não tem CPF, ao menos um nome ele merece. Lembrei que eu não encontrei Deus naquela cena daquele marginalizado perambulando pela existência imprópria, seletiva, darwiniana, cruel. Mas lembrei também que eu encontrei algo em seu humilde agradecimento, veio da comunicação entre os seres. E eu não sei o que é. E não era, pois permanece até agora. Sei lá. Talvez aquilo que eu pensei ser o seu medo, fosse a simples coragem para olhar o próximo e fazer-lhe uma saudação. Cláudio cata latas de alumínio, enquanto eu dispenso ilusões em metais nobres: a realidade, é muito mais dele. Na padaria, comprei dois pães frescos, para neles passar manteiga em casa de alvenaria. Talvez a cidade viva mesmo em estado crítico de emergência, suplicando por uma nova consciência e juventude. Cláudio não pôde aprender nada nos discos... 


quarta-feira, 20 de julho de 2016

CAFONIA - O LADO BREGA DA POESIA




 Meus nervos, 
     a plateia 
 Tua boca, 
     o palco 
 Tua poesia, 
     o maior espetáculo da minha Terra.. 


 Conviver com ela 
 É lutar permanentemente contra os duplos sentidos 
 Não aquilo ela deixa no ar 
 Mas aqueles que eu prendo em meus pulmões... 


 Não cale tua mão 
 Que eu não posso trancar meu peito 
 É tu escrevendo daquele jeito 
 Que meu sangue flui com permissão... 


 Nós dois 
 De mãos dadas pela praia 
 Na beira passa uma arraia 
 Nos beijamos logo depois... 


 Eu, amante 
 Do teu amor, pedante 
 Infante sentimento 
 Que tu deixaste para trás... 


 Já somos antigos 
 Mas tu, ainda moderninha 
 Tranca-te na casinha 
 E só sai com amigos... 


 Minhas palavras são velhas, 
     disseram uma vez 
 Noutras vezes, calaram 
 Porque não conheciam outras palavras... 


 Vem, neném 
 Te embalo como ninguém 
 Na rede do sol 
 Até pegares no sono 
 Como o novo arrebol 
 Anunciando o outono... 


 Dei-te flores 
 Mas não te dei amor 
 Fiz o contrário 
 Soubesse, 
 Teria deitado teu calor... 


 Cabeça de boneca 
 Viro menininha 
 E brinco contigo a vida inteira 
 Enquanto for amor 
 É cafuné na cabeleira... 


 Abro a porta do carro 
 Entras com vestido delicado 
 Queria estar pelado 
 Ao teu lado, 
 Fazendo sarro... 


 Morreu minha madrinha 
 Foi-se o meu anjo da guarda 
 Espantei o diabo de tua cozinha 
 Dizendo ele que tu eras casada... 


 Por volta dos cinquenta 
 Um amor nascente 
 Só mesmo isso 
 Pra virar adolescente... 


 Que idade tem meu sentimento 
 Se a modernidade inverte valores 
 Morro de amores 
 E não te desisto um só momento... 


 Ai, ai 
 Deixo aberto o peito 
 E daqui tu nunca sai 
 Vou pegar muitas gripes 
 Por tua friagem desse jeito... 


 Vamos morar no nordeste 
 Lá tem praia 
 Eu de bermuda, você de saia 
 Longe do ardil deste sul da peste 


 U' amor não correspondido 
 Tão jacu, tão querido 
 Contemporâneo ser ferido 
 E a moda que ela nem viu a cor... 


 Já falei demais 
 Parti para a ignorância 
 Escrevo hoje como na infância 
 Teu amor como era o dos meus pais... 


 Um nobre sentimento, 
     quando fora do tempo 
 Sei que sai de moda 
 Mas deixa nus, 
      dois corações 
 Ao léu das quatro estações... 


 Baby, minha amada 
 Quero tocar pra você 
 Depois do amor na madrugada 
 Essa música doce 
 Como se bombom seu eu fosse 
 E você, 
 A eterna namorada... 


"Impossível Acreditar Que Perdi Você" - Márcio Greyck
               por Três Meninas do Brasil

"Você Não me ensinou a Te Esquecer" - Fernando Mendes e outros
                                                                            por Erika Rodrigues

"Manhãs de Setembro" - Vanusa
por Alvimar & Glória