Friozinho dominical na terra dos pinguins brasiliensis, ceroula e a mais bonita
camisa de pijama da cidade. Bicho solto, como se precisasse; meias, em
homenagens às mulheres que não vêm mais aqui, ou às que estão por aí. Cafezinho
com marca experimental, só para fugir do mesmo, espero acabar o pote, que
saudade do Aviação. Pedaço de pão italiano, outro pedaço de chocotone, para quê
almoçar? Abro a janela da caverna, nenhum som além das unhas recém cortadas da
cadela no piso do pátio. Há um vizinho nas últimas, eu sei. Respeito-o pelo
som, mesmo que ele nunca tenha me cumprimentado. Na cadeira de rodas ele olha
para mim do outro lado da rua, olhar tipicamente ‘avecezado’: nem sei se ele
pensa, coitado. O pessoal do feriado prolongado começa a lotar as estradas,
dezenas vão morrer, é uma roleta russa sem proporções de medida. Ficar nessa
cidade, é melhor nessas épocas de êxodo. Mas a normalidade temporal é de
lascar. Essa vontade imensa de escrever alguma coisa que faça sentido, ainda
vai me matar, mas longe daqui, por favor. Porém, também é preciso dar vazão às
coisas sem sentido, até porque elas são em quantidade insignificante. Não por
eu ser um expert (que não sou), mas porque o sentido da coisa para mim é outro.
Pareço chegar ao fim de um caminho, e o que
eu digo são conteúdos para diários femininos de moça recatada. Prefiro um caderno
de receitas a um diário. Sem preconceito, nem crise de identidade, mas a razão desse texto é dizer que as mulheres são muito mais privilegiadas que os
homens. Elas andam de vestidos, escrevem diários, cozinham melhor. A bicha
delas fica sempre solta. Vou fazer um feijão para almoçar lá pelas quatro. Tem costelinha,
paio e um pedaço de lombinho. Carnes nobres para quem aguarda uma temporada de
poesias, neste fim de estação de contos sem pretensão, quando a inspiração inclina para o lado pessoal e por isso deixa de sê-lo. Quanta coisa vazia cabe
no branco de uma folha. Quantas cores cabem no vazio de uma vida. Toda segunda-feira,
não passará de u'a nova segunda-feira. Os mesmos, somos nós...
Editorial – difícil
acreditar que determinada pessoa preencheria a imensidão deste vazio... construí
este vazio tão sem muros, porteiras ou limites, que já não há mais espaço para
alguém compartilhar sua dimensão comigo... nem mesmo outra solidão... pois as
solidões, são infinitos em latitudes diferentes.
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