sábado, 16 de maio de 2015

Mis Celânea



 raios na noite, pobre luar 
 perdeu espaço de tanto lamento 
 tormento que não viceja 
 além dos neons 
 aquém de alguém 
 que não sai a vagar 
 resta refém 
 de sereno as folhas molhar 
 na vida traduzida 
 quase nunca vivida 
 sob luz solar... 


 secas de outono no chão as folhas 
 hino frio de menino vadio 
 sem brincar na soleira do temporal 
 que assola dos pais a união 
 a natureza em volta observa 
 um canto melhor para a infância passar 
 um jeito melhor para começar adolescente, 
 ou inverno 
 a ver outras formas de violência 
 menos cruéis que a do tempo 
 estações que não cabem em casa 
 ali, 
 onde nunca foi lar... 


 o trauma da lâmina sem corte visível 
 de uma vez que era pouco e se feriu 
 dói na memória muda dor e surda 
 restando transformar a cada volta 
 em fins tudo que se acabou 
 em começo o que não veio 
 e em esperança o que não sobrestará... 


 voltas e retornos e trevos 
 raros nas estradas 
 turbilhões nas vidas 
 em círculos 
 regressos e retrocessos e insucessos 
 descaminhos 
 que o povo arde mas disseca 
 pele que não quer mudar de cor 
 só porque não quer, 
 mudar.. 


 dá-me um chão 
 só para eu pisar 
 porque minhas mãos 
 têm a sina de desacompanhar 
 não tocam 
 não pegam 
 não seguram 
 e jamais irão abraçar 
 por isso é que eu ando 
 ou pretendo apenas caminhar..  


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