domingo, 17 de janeiro de 2016

Miss Celânea 6




Tenho meu melhor poema
Mas não o decorei
Assim como há outras coisas,
Melhores em mim
Mas, 
    ainda as desconheço...


Levei flores,
    tomei descaso
Mostrei frases,
    ganhei frieza
Ofereci colo,
    tive ausência
Dei carne,
    Nem copo d´água serviram...


Os dedos mergulham nas teclas
Neste mar noturno de mim
A tela, 
    feito lua
Sem barco que navegasse,
Vou me afogando assim
Renasço à meia-noite
E morro na alvorada
Vivo só a madrugada
Sem sol,
    nem zepelim...


Fui ver o meu sonho
Ele estava no lugar
Quem se perde sou eu
Que ainda rejeita lençóis...


Três casas boas
Três distantes da praia
Três Terezas nuas
Púbis em samambaia
Ando até o mar
Me embrenhando até os ventres
Ventura quente
Essa de se refrescar...


Perdi a manha
De conquistar alguém
Desnudo-me por inteiro
E o medo nelas vem
Pois elas, nuas
Escondem alguém
Atrás dos olhos
No canto da boca
No gemido preso
O gozo trocado
O gesto pecado
Foder com quem se tem...


A cadela na janela
Sorri feito banguela
Vida de mordidas
E lamber pra não virar feridas


Estendo o braço na cama
Mar deserto
Deserto de areia
Areia aqui e acolá
Olhos marcados
De tanto não enxergar
Que o espaço não existe
Solitude é o que há..


Não me chame pra conversar
Sobre amor
Nada há a declarar..
Se existe curitibano
Sou eu em negar essa natureza...


Venha
Dispa-me até o céu cair
Morda meus braços
Quando ele lhe tocar
A lua nas costas
Peso da natureza
De quem não sabe levar..


Hoje, recusei o sol
Nessas bandas sempre nubladas
Não estou acostumado,
A um aperto de mão...


Matei mais um fim de semana
Que o tédio não velou
Foi a luz de cabeceira
Que o teu amor apagou..


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