segunda-feira, 28 de agosto de 2017

PHilosofando Loas




O não amor. Não é o contrário de amor, é apenas a falta de sentimento mútuo entre duas pessoas minimamente conhecidas. Não tem a ver com desamor, que implica no fim ou na evitação de um sentimento. Mas também é diferente do nada. Este, nem se discute, muito menos se redige sobre ele. O não amor é algo. Que existe, seja apenas de um lado só. Distingue-se ainda do amor platônico, que é um sentimento impossível que não cabe ser chamado de amor, porque é destituído de recíproca, ‘platonismo’ seria melhor. O não amor, parece uma perspectiva ausente, ele é uma perspectiva ausente. E por ser assim, diferencia-se do nada, do coisa alguma. Por ser algo que é, pode ser discutido e bastante redigido. O não amor é uma filosofia sem tempo, uma sociologia sem espaço. Alguma ciência, pode determiná-lo, bem como as coisas que dele emanam. Um olhar castanho e profundo, indicando um mundo não estranho. Ouso, virtualmente, furtar-lhe uma identidade, pensando que nos daríamos muito bem. Mas é apenas uma opinião, pois a perspectiva é ausente. Então, não tento aproximação. Vejo do alto do morro, a praia no colo da baía, a calmaria das ondas dormentes na areia mansa dali, daquela paisagem. Sinto paz ao olhar para ela. Muita paz, um quase conforto. Ontem era assim, hoje talvez seja mais ainda. Não falarei do amanhã. É inevitável poetizar essa mulher. Mas eu preciso me proibir. Se a paz é a primeira impressão, imaginar o que haveria de vir adiante, adentro. Lembro-me de que eu não acredito no amor. Aí, eu encerro a escrita. Estou em paz. Outra forma de paz, eu não compreenderia. Assim, eu prefiro manter por ela o não amor. Assim, o sol não me queima. E assim, toda manhã é domingo. Toda manhã nasce e morre uma perspectiva que não se estende além do morro, do usual, nem mesmo do princípio... 

Morning Has Broken - Cat Stevens - Monalisa Twins


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