sábado, 19 de novembro de 2016

Sessão Indicadores Sociais




Os Caçadores da Razão 
E eles vão seguindo os seus descaminhos. Sentindo-se nas estradas do popularesco “rei do iê-iê-iê”, aquele fanho que deu certo na sociedade de consumo. “Compre o CD e passe o natal com RC”, diz a chamada, ignorando o viés consumista e portanto descartável da coisa. Nem olham direito à frente, praticamente fixam sua visão nos acostamentos, à cata de razões de toda natureza. Qualquer objeto serve para argumento. Este, previamente concebido, aguardando a próxima barraquinha, ou o que tiver pelo chão. Às vezes, são chamados de juízes de pequena monta, minidesembargadores, pseudo-excelências de plantão 24 horas, prontos para a clássica tríade acusar/julgar/condenar quem se atreva cruzar seu ambiente. Aquele juízo permanente sobre tudo e todos, não tarda em alcançar fundamentos, os quais não passam de outras coisas transformadas em fundamentos, claro que à sua ótica cega, injustificável perante a verdade. Mas assim está bom, o que eles querem é rosetar. Têm, tais incautos, respostas para tudo, reparem. São o máximo em experiência, paladinos da modernidade. Vivem retrucando, dizendo “não é isso”, “não é assim”, “não tem nada a ver”, distorcendo assuntos sob a luz de sua lanterna sem pilhas. E como enchem o saco, esses idiotas. Bilhões de pessoas no mundo e a razão mora no ego do peito e jorra da boca dessa gente imediatista, calculista, mas que nunca vai ao dentista. Mas tem jeito de lidar com esse povo. Basta jogar na sala o silêncio, seguido de uma troca brutal de assunto: eles ficam possessos, pois aí são obrigados a catar novos motivos ou explicações pelo caminho do papo... e não vem, não tem... demora e eles perdem-se na finitude do próprio ego. É uma delícia fazer isso, vê-los no desespero da busca. Por isso são caçadores, outra espécie de bicho que vive nas selvas, porção animal aflorada em quase estado de natureza. Sim, eu me afasto dessa gente. Tenho outra concepção de sociedade, de convivência. Tenho dúvidas, sobre as coisas que eu não sei, não vi, não li, nem experimentei. Algumas, formei opinião ao longe, mas sem catar materiais e transformá-los em respostas; respeito o desconhecido, não me atrevo sobre ele. O fiz, à maneira do observador quase científico. Sim, eu mudo minhas convicções, nem eu sou eterno. Não permaneço em cima do muro, aquilo que desconheço, sem domínio fico de fora. Desconfie destas pessoas, as “pessoas prontas” que sabem de tudo. Seu lema é a definição, passam longe do que necessitar conceito, reflexão ou contexto. O que elas fazem, é tentar se aproveitar de nossa bondade, pois só querem estar por cima da carne seca, com a mão na cereja, no topo da razão, o cume da sabedoria. O povo do cume, onde brota tanta coisa que não presta. Tive paciência, não ofendi ninguém, aprendi a trocar de tema e deixar-lhes perplexos, só isso. às vezes, vou embora; também aconteceu com algumas mulheres, saí à francesa. Minha defesa não foi ataque, apenas mudança de território, em todos os sentidos. Quando vejo alguém assim, percebo carências, inseguranças, necessidades de auto-afirmação, fraquezas. Coitados, desses indivíduos que possuem o mundo na ponta da língua. Que vida ácida que eles levam, sem provar as doçuras da existência. Eles nunca poderão beijar, lamber, nem chupar direito... 


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