sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Seção Moral da História


 NA CONTRAMÃO 

{Depois do amor, educado ele ia para o chuveiro, ela já devia ter se lavado. Ao entrar no banheiro, ela estava na ponta dos pés, fazendo alguma coisa no rosto em frente ao espelho. Aquele quadril desenhado a alguns compassos parecia um convite, ele jamais recusou, meteu-lhe o instrumento por trás como fazem os bandidos marinhos, ignorando as leis dos homens. Ali, e só ali, o sexo anal era mais gostoso. Entreolhavam-se indiretamente no espelho, feitos desconhecidos voyeurs, à medida que as coisas trêmulas caíam pelo chão. Olhares cerrados, o sexo proibido liberto estava, revirando instintos animalescos de prazeres alternativamente humanos ou quase. Os gemidos eram mais baixos, bem ao contrário do convencional, onde se esgoelavam liquidamente. Ela queria força, ele cuidado. Ela violência, ele exercício. Ela pedia palavras porcas, ele as entregava em seus ouvidos baconianos. Agarrava-a de um jeito muito mais forte do que fosse necessário ou cortês. Isso a levava ao delírio, salivação ao extremo, língua disparada no céu da boca, cabelos cacheados em movimento criminal, o embaçado não era da água e sim dos corpos novamente em ebulição. Os braços dele dançavam sobre seus seios, desciam mãos até a vagina, ela não se aguentava. Tremia as pernas num gozo mortal, quase desfalecendo ao chão após o tradicional sorriso. Pronto, sem emitir secreção alguma, ele gozava por dentro dele mesmo, de outra forma: seu prazer era apenas dar prazer a ela. E assim conviviam nos fins de semana, fazendo do sexo um agradável convidado para aquele lugar onde não morava o amor... }

/E pensar que existem outros que levam isto para muito além dos banheiros, dos quartos e das salas, fingindo que é sentimento, inventando amor. Por isso as pessoas precisam ter noções de engenharia, para aprender a delimitar no espaço, os alcances de cada relacionamento. Decorações, vão bem apenas em interiores. O resto, é paisagismo.../ 



Nenhum comentário:

Postar um comentário