segunda-feira, 25 de março de 2013

Seção Formato Mínimo



 HALLELUJAH 

Enfim, à zero hora de uma data qualquer, o nômade licórnio descobriu que a história de sua vida também era uma lenda. Atravessou seu tempo e espaço, inutilizando aos poucos a força de sua pureza. Concluiu seu desejo ser profano, evanescente, estelar. Porque aqui, nos campos da existência, nenhuma donzela o reconhecera, tendo sido ele ignorante dos seus regaços. Então, depois de reavistar sua natureza, tomou o caminho de sua originária constelação, para lá se eternizar. O universo fora para ele a terra, mas esta lhe significou, em realidade, não mais do que o ar. Elementos divergentes dominando os sentidos em função do poder dos mistérios, aprendeu que o mundo há de ser muito mais do que aqui. Finda sua trajetória pela certeza da ausência do único e verdadeiro sentir, é morta a vida em contemplação. Agora, é desfazer os rastros e retomar o céu, bem se conduzindo pelo soberano galope, destino que outrora havia lido nas entrelinhas de seu desvirginado coração.


Canção Agalopada – Zé Ramalho


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