segunda-feira, 3 de junho de 2013

Contos sob a copa das Araucárias


 O CÉU EM MIM 



A chuva forte na madrugada fria, desvia-me do sono que não virá. Da cama para a bancada, da imaginação para as frases ou do breu à luz, como se as tilintantes gotas geladas nas superfícies que me guardam fossem letras cadentes as quais eu devo, despertado, organizar em meu brando solo de aridez. Isto, para que nas manhãs de junho finalmente venham os dias melhores de mim, conduzidos pela devida articulação de tudo que não acontece, com meu sonho quase eterno de desejos por vezes vãos de possibilidades. Espaços em minha mente, vácuos peitorais e cadeiras ao meu redor necessitam ser preenchidos com alguma forma de vida importante, para que não faleça minha peregrina esperança. Meus túneis interiores são labirintos, refúgios distantes demais da verdade externa, codinome realidade. Se eu for da terra, que seja um ser elemental, a ponto de guiar qualquer outro que não eu, posto que há tempos estou perdido em minhas próprias cercanias. Sim, onde passa tanta gente e não fica ninguém para ao menos dizer que vai embora. Levo a vida não a vivê-la, mas somente a traduzir as intempéries pluviais da minha consciência justificante. Conto com as interferências da natureza sobre os homens, a provocar noites, disfarçar manhãs e nublar tardes, para ver se agimos na direção do hoje. É tarde, eu sei, mas foi preciso novamente entrar em mim para tentar buscar uma outra saída... 


Nenhum comentário:

Postar um comentário